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Tecnologias que podem transformar as empresas no Brasil

Tempo de Leitura: 7 minutos

A circulação rápida da informação e também a mudança constante dos cenários tecnológicos, econômicos e sociais são características marcantes da nossa vida atual. Dentro deste cenário, as empresas e os governos buscam, nas novas tendências de tecnologia, alternativas para enfrentar as mudanças.

Por isso, a pergunta pertinente que surge é: como as organizações brasileiras estão sentindo os impactos do fenômeno indústria 4.0? Elas estão se adequando tão rapidamente quanto o avanço da tecnologia?

Com uma análise abrangente da realidade brasileira no cenário pós-Covid, o  Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), realizou o estudo Radar Conecte-se ao Novo/2021-2022 -Tecnologias que podem transformar as empresas no Brasil (no final do posto você pode ver o estudo na íntegra).

Em sua segunda edição (a primeira edição apontou impactos das tecnologias emergentes em 2020), o estudo traz um levantamento sobre maturidade, potencial de impacto e perspectiva de adoção das tecnologias importantes para o cenário atual e futuro do país. Confira, no artigo, os resultados obtidos.

Como o estudo do CPQD foi elaborado

A pesquisa apresenta a percepção de profissionais de diferentes níveis, clientes e parceiros, sobre como o conjunto de 28 tecnologias, agregadas em 6 setores de atuação, podem impactar sua cadeia de valor. São eles:

1. Rede e Conectividade

  • 5G – 5a geração das redes móveis
  • Multi Nuvem (Multicloud)
  • Tudo Definido por Software

2. Inteligência Artificial

  • Inteligência Artificial Emocional (Emotion AI)
  •  Inteligência Artificial na Borda (Edge AI)
  • Interface de Uso Natural
  • Computação Cognitiva
  • Deep Learning
  • Digital Twin
  • Plataformas de “insights”
  • Computação Sensível ao Contexto
  • Automação Inteligente

3.  Confiança, Privacidade e Segurança

  • Blockchain
  • Identidade Digital Descentralizada ou Autossoberana
  • Biometria de Voz
  • Segurança Autoadaptativa
  • Tecnologias de proteção da privacidade
  • Autenticação Contínua
  • Contratos Inteligentes

4. Computação Avançada

  • Experiência Imersiva – Realidade Virtual e Realidade Aumentada
  • Computação Quântica
  • Criptografia Quântica

5. Mobilidade e Veículos Autônomos

  • Mobilidade Elétrica ou Híbrida
  • Veículos Autônomos

6. IoT e Dispositivos Inteligentes

  • Inteligência Artificial Embarcada (Emdedded AI)
  • Internet das Coisas (IoT)
  • Computação de Borda
  • Tecnologia Vestível – Wearable

O formato e a segmentação por setores econômicos elaborados pelo CPQD permitem a análise específica e rápida dos desafios enfrentados com o advento das novas tecnologias.

As tecnologias foram classificadas em 3 pontos diferentes: maturidade percebida, impacto previsto e prazo de adoção. Cada um desses pontos também foi subdividido em níveis de interatividade.

Maturidade percebida: para compreender o nível de maturidade em cada um dos setores estudados. Neste quesito, quatro graus foram pesquisados: emergente, nascente, inicial e convencional.

Impacto previsto: para determinar o quanto as tecnologias emergentes podem modificar o setor em que atuam. Neste quesito, quatro pontos foram estabelecidos: baixo, médio, alto e disruptivo.

Prazo de adoção: para completar a análise, foi investigado o prazo de adoção das tecnologias, que está intimamente relacionado à maturidade e ao impacto previstos. Os prazos foram divididos em:

  • 0 a 2 anos: tecnologia já analisada e está dentro dos planos de curto-prazo;
  • 3 a 5 anos: segue em análise e possui grandes chances de utilização;
  • 6 a 8 anos: seu impacto já foi notado, mas a utilização não possui urgência;
  • Mais de 8 anos: aguarda maiores sinais de uso do mercado para uma tomada de decisão futura.

Cinco novas tecnologias foram incluídas no estudo

As 28 tecnologias analisadas em 2021 foram revistas, sendo que cinco foram substituídas diante da atual realidade brasileira, nos vários setores econômicos.

No seu lugar, foram incluídas cinco novas tendências de tecnologia:

  • Inteligência Artificial Emocional (Emotion AI);
  • Inteligência Artificial na Borda (Edge AI);
  • Identidade Digital Descentralizada ou Autossoberana;
  • Biometria de Voz e Criptografia Quântica.

Em termos de adoção de novas tecnologias, os setores indicaram que 13 delas estão no curto prazo e outras 13 estão no médio. Somente duas estão no longo prazo, acima de 5 anos, que são as tecnologias quânticas – computação e criptografia.

A grande maioria das tecnologias são consideradas de alto impacto pelos pesquisados no Radar. Os setores do Governo e do Agronegócio indicaram o maior número de tecnologias que irão provocar mudanças profundas em seu meio de produção.

Na avaliação da maturidade das tecnologias pesquisadas, buscou-se entender quanto cada setor está exposto aos novos processos tecnológicos e ainda qual é o  grau de inserção delas no seu processo produtivo.

Tendências de Tecnologia da Informação e Comunicação em alta

O setor de TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação), em linhas gerais, concentra o desenvolvimento das principais tecnologias relativas à transformação digital. Diante disso, os profissionais da área percebem mais intensamente o amadurecimento tecnológico.

Segundo a pesquisa, seis tecnologias já são consideradas convencionais no setor, pois apontam uma crescente percepção de valor por parte dos usuários, maior oferta, mais demanda e processos acelerados de adoção.  São elas:

  • Automação inteligente;
  • Blockchain;
  • Tecnologias de proteção da privacidade;
  • Autenticação contínua;
  • Inteligência artificial embarcada;
  • Internet das Coisas (IoT).

As tecnologias apontadas pelo setor de TIC como nascentes, aparecem com grau de maturidade maior para a indústria. As causas dessa diferença ainda não estão claras. No entanto, é possível que a proximidade dessas tecnologias com o setor produtivo contribua para que os pesquisados da indústria as percebam de forma mais avançada. São elas:

  • Inteligência artificial na borda;
  • Digital twin;
  • Plataforma de insights;
  • Identidade digital descentralizada ou autossoberana;
  • Biometria de voz.

Setor de Telecomunicações revoluciona os modelos atuais de negócios

O setor de Telecomunicações mostra como a evolução tecnológica, na maior parte com alto poder de impacto, afetará os modelos atuais de negócios e o dia a dia das pessoas.

As tendências de tecnologia que estarão avançando em cinco anos ou mais, como, por exemplo, Criptografia e Computação Quântica, preveem um futuro em que a quantidade de dados será exponencialmente maior do que temos hoje.

Diante deste cenário, cresce a preocupação com o aumento do poder computacional para absorver toda essa informação, além da adoção geral de Inteligência Artificial e Biometria de Voz para agregar valor aos negócios.

Com a chegada das redes móveis 5G, em até dois anos, surgem outras tecnologias, hoje em estado inicial de maturidade, como Multinuvem (Multicloud), Computação de Borda e Inteligência Artificial Embarcada. Toda essa infraestrutura de conectividade advinda do 5G viabilizará o novo ecossistema com aplicações voltadas para Veículos Autônomos, Experiência Imersiva e Tecnologia Vestível, que devem estar disponíveis em até cinco anos.

Indústria 4.0 desconectada da Inteligência Artificial

Com a maior propagação dos conceitos relacionados à Indústria 4.0, a percepção do impacto da IoT no setor produtivo foi intensificada. Tanto que, nesta edição da pesquisa, as tecnologias IoT foram classificadas com o mais alto grau de impacto para os negócios, indicando potencial disruptivo.

Porém, parece que a IoT está sendo percebida de forma muito desconectada da Inteligência Artificial. Esta visão pode levar a indústria a um atraso e/ou subutilização dos ganhos proporcionados pelo uso da IA, já que as tecnologias de IoT e IA são complementares em inúmeras soluções.

É importante ressaltar que tanto a IA quanto a IoT podem ser implementadas no parque industrial de forma gradual e escalável.

Além disso, há uma visão mais cética e/ou conservadora da indústria, em relação à maturidade tecnológica e ao tempo de adoção das tecnologias habilitadoras, principalmente se comparada aos setores de Tecnologia da Informação e Agronegócios.

Isso porque o tempo estimado para adoção da maioria delas pela indústria é de três a cinco anos. Enquanto isso, no agronegócio, a maior parte das delas já está em uso ou será adotada em até dois anos.

Essa diferença pode estar relacionada ao fato de que o setor do agronegócio já está mais maduro em sua atuação com startups de base tecnológica. Enquanto na indústria, esta é uma prática mais recente.

Setor de agronegócio tem evolução acelerada

Nos últimos anos, o setor do agronegócio no Brasil tem demonstrado evolução acelerada na transformação digital, com a crescente adoção de tecnologias digitais na agroindústria, especialmente pelos setores de commodities e produtores de grande porte.

Há uma demanda crescente por soluções de conectividade no campo, com o surgimento de diversas iniciativas e soluções. Além disso, o setor espera ansiosamente a chegada de novas tecnologias sem fio, como a 5G, que só deve chegar em dois anos.

O desenvolvimento da inovação do agronegócio no país, incrementado com a atuação de startups, universidades e centros de inovação, tem contribuído para o crescimento do conhecimento e da percepção sobre a maturidade e impacto das tecnologias digitais.

De acordo com os resultados do estudo, a IoT já é considerada tecnologia convencional, enquanto Blockchain, Digital Twins e Mobilidade Elétrica devem ser adotadas entre três e cinco anos.

Além disso, os resultados demonstram a percepção do impacto disruptivo

da Inteligência Artificial Embarcada e do Deep Learning, que devem ser adotados no curto prazo. Este aspecto significa que está havendo um amadurecimento da visão da aplicabilidade e potenciais de ganhos que proporcionam aos negócios dos produtores rurais.

Tecnologias no setor de Utilities passam a emergentes

Houve mudanças significativas na percepção no setor de Utilities, nesta edição. As tecnologias de Mobilidade Elétrica ou Híbrida passaram a ser emergentes, de longo prazo e de baixo impacto. No setor de Veículos Autônomos, a categorização passou para nascente, médio prazo e de alto impacto.

Estas alterações se devem, provavelmente, aos impactos causados pela pandemia ao comportamento da população, quanto à mobilidade no geral. No entanto, os problemas de energia mundial não mudaram: alterações climáticas, crescimento populacional e demanda por recursos.

Os investimentos na digitalização para o melhor controle da geração, transmissão e distribuição de energia, com o uso de fontes sustentáveis e renováveis para a preservação do meio ambiente, devem ser pontos de atenção permanentes.

Novas ferramentas com alto impacto no governo

Em meio aos desafios surgidos com a pandemia, a digitalização dos serviços públicos foi muito acelerada, tanto no teletrabalho, na telemedicina e até mesmo na educação virtual.

Na pesquisa, o setor público admite o alto potencial de impacto das tecnologias analisadas, embora considere a maturidade delas como nascente ou inicial.

Apesar de reconhecer o avanço tecnológico e sua importância para enfrentar os grandes desafios da sociedade e para o próprio funcionamento do setor público, o governo está cauteloso sobre a adoção delas.

Isso provavelmente se deve ao cenário atual de incertezas e a outras prioridades na economia e nos negócios. Assim, o setor público prevê a adoção das tecnologias em prazos superiores a três anos, seja para a conectividade 5G, Internet das Coisas, Inteligência Artificial na Borda, Mobilidade Elétrica ou Híbrida.

Adoção ágil de novas tecnologias nos setores financeiro e de serviços

Os setores financeiro e serviços passam por transformações constantes e se adequam às novas tecnologias de forma ágil. No setor financeiro, a entrada de novas empresas, principalmente fintechs, está dinamizando ainda mais o mercado e o apetite por inovações.

Nos dois setores, as tecnologias 5G e Tudo definido por software são consideradas as de maior potencial de disrupção. Em relação a Tudo definido por software, os setores já consideram uma tecnologia convencional e com prazo de adoção próximo.

A tendência de digitalização dos serviços já é bem percebida pelo setor. Aliás, essa consciência somada às condições impostas pela pandemia podem acelerar mais a adoção da tecnologia.

A tecnologia 5G também é reconhecida como impactante, mas com uma maturidade inicial ainda. Isso demonstra que o setor reconhece seu impacto, mas não percebe como será sua aplicação no setor.

Já a Internet das Coisas, as Tecnologias de proteção à privacidade, a Autenticação contínua e a Mobilidade Elétrica ou Híbrida são vistas como maduras e prontas para serem integradas ao setor.

Para ter uma visão mais completa, acesse o estudo na íntegra:

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Sobre a ABII

ABII – Associação Brasileira de Internet Industrial, fundada em agosto de 2016, atua com o objetivo de promover o crescimento e o fortalecimento da internet industrial das coisas e da indústria 4.0 (IIoT & I4.0) no Brasil. Fomenta o debate entre setores privado, público e acadêmico, a colaboração, a geração de conhecimento e o intercâmbio tecnológico e de negócios com associações, empresas e instituições internacionais.

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