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Artigo: Afinal, transformação digital?

Tempo de Leitura: 5 minutos

Por Daniel Marques de Moraes, diretor da ABII*

O termo Transformação Digital não é novo, mas apareceu com muito mais força nas organizações durante a pandemia. Afinal, o que é essa transformação e como ela está estruturada?

O nosso ponto de partida é a quarta revolução industrial, onde encontramos:

  • Sensores: cada vez mais simples, completos e baratos;
  • Conectividade: com alta disponibilidade, opções e confiabilidade;
  • Processamento: altamente disponível, sob demanda e com custo compatível;

Itens estes que quando aplicados as organizações (seus parques industriais e escritórios) permitem uma série de novas ondas de geração de valor e mudam completamente os processos e modelos de negócios existentes.

No meu ponto de vista, a melhor forma de entender esse termo chamado Transformação Digital, é entender palavra por palavra:

Digital é o conjunto de novas tecnologias que combinadas permitem a uma organização novas possibilidades, maior eficiência, capturar seus dados, conhecer melhor os mesmos e converte-los ao nível de inteligência que gera valor a corporação.

Exemplo de algumas atividades que podem ser encontradas dentro de um posicionamento digital de uma organização:

  1. Indústria 4.0 ou IIoT: são tecnologias aplicadas sobre a camada da indústria 3.0 (automação industrial) e IT/IS, que permitem no processo industrial a adoção de novas possibilidades (devido as novas competências agregadas), além de atuar no ciclo de captura de dados, análise, melhor entendimento das operações, geração de inteligência e retorno com avanços de processo. Exemplo de algumas tecnologias que podem ser utilizadas dentro deste contexto: robôs colaborativos, drones de medição, reconhecimento de imagem, sistemas de captura de dados, IoCM (Internet of Condition Monitoring), digitalização do processo industrial, twins para predição de falhas de equipamentos, smart sensors e etc.
  2. Connected workers (colaboradores conectados): embora faça parte da indústrias 4.0, prefiro separar essa frente por considerar estratégica. De nada adianta termos toda uma camada de tecnologia no processo se as pessoas não estiverem devidamente conectadas e com ferramentas e informações adequadas. A conexão pode ocorrer por gadgets como celulares e tablets, ou até mesmo por tecnologias wearables (conectadas as pessoas) para suportar ações de saúde e segurança dos colaboradores. Também faz parte desta frente a existência da correta infraestrutura de IT/IS industrial, em que a necessidade de um planejamento estratégico de redes e camadas wireless industrial são mandatórias para permitir a conexão de forma adequada e dentro das diretrizes de cybersecurity.
  3. Ambiente digital em nuvem: camada na qual todos os dados coletados pela indústria 4.0 e connected workers podem ser enviados, armazenados e principalmente analisados para serem transformados em inteligência. Essa análise de dados pode ser realizada desde a simples atuação de pessoas com conhecimento efetivo do processo em questão, com técnicas de data mining e por fim até mesmo IA (inteligência artificial). Lembrando que a recomendação é sempre buscar da solução de tecnologia mais simples para a mais complexa e não o contrário. Também no ambiente de nuvem é onde vários processos de diferentes localidades ou áreas de uma organização podem serem correlacionados. A forma como este ambiente de nuvem é organizada (os vários programas e produtos em nuvem são conectados para realizar as funções que precisamos), chamamos de arquitetura.
  4. Digital office (escritório digital): arena onde os dados, informações e inteligência dos processos industriais por meio da indústria 4.0, connected workers e ambiente administrativo, se encontram. O digital office nasce na primeira ação que é o tratamento das databases da organização, onde é necessário permitir o acesso e a correta conexão entre essas várias databases. Com isso é possível a criação de uma série de dashboards e KPIs management tools que ao final do dia tem como principal função tornar a informação da empresa transparente, ágil e adequada para cada perfil existente dentro da corporação.

Com a definição de digital, vamos para a palavra transformação.

E quando falamos sobre transformação, falamos basicamente sobre pessoas!

A experimentação, adoção e entendimento deste conjunto de novas possibilidades precisa ser refletido na forma como as pessoas irão aprender, entender, aceitar e se posicionar em relação as mesmas. Algumas dicas são importantes:

  1. As pessoas precisam ter uma compreensão clara das novas possibilidades e oportunidades que a chegada que novas tecnologias podem apresentar para cada um. Toda transformação abre um mar de oportunidades, basta decidirmos se queremos estar preparados ou não para surfar essas ondas. Exemplo, com a chegada da internet nos anos 80/90, quem poderia naquela época imaginar que tantas oportunidades de crescimento profissional iriam se abrir para tantas pessoas como foi?
  2. Aprender, aprender e aprender. É tudo ainda muito novo, precisamos ter abertura para entender que ninguém possui entendimento completo ainda do potencial dessas novas tecnologias e principalmente o quanto de valor podemos gerar com elas. Aqui existe um ponto de atenção em relação as promessas de soluções perfeitas existentes e prontas no mercado: antes de qualquer movimento mais intenso, sempre é importante entender o nível de maturidade das soluções, realizar pequenas provas de conceito (as famosas PoC ou Testbeds) para verificar como a possível solução se comporta na aplicação real, se entrega o que prometeu e principalmente se realmente gera valor para nossa organização.
  3. Trabalharmos de forma integrada dentro das nossas corporações. Ninguém faz nada sozinho dentro do mundo digital. Automação, IT/IS, processos, R&D e etc.; precisam atuar de forma integrada para permitir a correta construção das soluções digitais comentadas e principalmente alcançando um nível de qualidade aceitável.
  4. Normalmente os processos administrativos de uma organização são desenhados representando o melhor entendimento da organização em como realizar uma determinada atividade e também com base nas limitações existentes dentro da organização. Com a chegada de novas capacidades pela adoção das ferramentas digitais, novas possibilidades surgem e, portanto, as limitações da organização são alteradas. Por esta razão precisamos ter a mente aberta para analisarmos os processos existentes e adequarmos as novas realidades possíveis.
  5. Pequenos casos de geração de valor, nos permitem demonstrar para toda a organização o potencial destas ferramentas digitais e principalmente o valor que elas podem agregar ao negócio. Por esta razão, toda a iniciativa digital é importante, pois permite o avanço no entendimento da organização do potencial que um portfólio de projetos digitais pode ter.
  6. Dado é o novo ouro. Em nossos processos, em nossas atividades diárias, precisamos ter clareza de que a gestão de dados precisa ser bem realizada. Aqui vale uma ressalva importante: sempre precisam estar na nossa mente as políticas e diretrizes internas e externas de gestão de dados. Por exemplo: Se trabalhamos com projetos ou em compras, algumas perguntas sempre precisam estar conosco: Para esse novo equipamento, quais dados ele gera e para onde vão os mesmos? Como posso fortalecer a arquitetura digital da minha organização nesta fase que estou agora?

A Transformação Digital, não se resume apenas aos pontos acima, mas de forma macro podemos trazer como sendo a junção das novas tecnologias com nossas pessoas preparadas, aprendendo e entendendo como geramos inteligência e valor para nós mesmos e para nossas organizações. No final do dia a maior função da Transformação Digital é que a nossa organização se torne 100% digital, e que todos os conceitos acima passem a ser o nosso dia a dia.

*Daniel é executivo com 20 anos de experiência em inovação, tecnologia, transformação digital e ecossistema de startups, desenvolvida nos segmentos da indústria de cimento, alumínio, eletro-eletrônico, mineração e setor elétrico, com passagem significativa nas empresas Tupy, Norsk Hydro, Embraco, Votorantim Cimentos e Inepar. Graduado em Engenharia Industrial Elétrica, Administração de Empresas e MBA em Gestão Estratégica de Negócios. Sua relação com a ABII existe desde 2017, quando esteve à frente do projeto diili, case vencedor do Prêmio ABII daquele ano. Hoje atua como gerente de Transformação Digital e Inovação da Tupy.

Este conteúdo foi produzido por Daniel, e expressa a opinião do profissional sobre os temas abordados. A ABII oferece espaço para todos os profissionais e as empresas associadas publicarem conteúdos relacionados a novas tecnologias, produtos inovadores, indústria 4.0, IIoT e transformação digital.

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